Tristão e Isolda


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Wagner não foi somente um grande compositor. Foi também o artista do século XIX que mais de perto roçou a grande utopia romântica: a união fraterna das artes – a Gesamtkunstwerk ou obra de arte total-. Em 1857, além do conhecimento da lenda céltica de Gottfried von Strassburg, ocorreram dois eventos decisivos na vida de Wagner relacionados com a obra: o contato com a filosofia de Schopenhauer e o conhecimento de Mathilde, esposa de Otto Wesendonck, rico comerciante, ambos admiradores do compositor. A estreita amizade entre Wagner e Mathilde, nunca consumou-se sexualmente. Mathilde constituiu-se a musa inspiradora de Wagner, na medida em que o erotismo podia ser sublimado. Esses estímulos foram a base que originaram a obra. Por isso, assim escreveu Wagner a Liszt, em dezembro de 1854: “Porque eu nunca experimentei a verdadeira felicidade no amor, quero levantar um monumento ao mais belo de todos os sonhos, no qual, do começo ao fim, esse amor possa, por um só momento, ser o suficiente para satisfazer os amantes”. “Minhas obras não são senão atos musicais que se tornam visíveis..”. “É à arte a quem devo as constantes contradições de meu ser..” . Estas reflexões encontradas na vastíssima bibliografia wagneriana, alinham-se perfeitamente à obra Tristão e Isolda, por tratar-se precisamente de uma obra na qual a tragédia está reduzida ao mínimo expoente, porém de forma tão profundamente consubstanciada com a música, que esta reina soberana sobre as vozes e protagoniza a ação à maneira de uma sinfonia do destino. Wagner definiu isto tudo como a linguagem do sentimento e também como a expressão do coração humano. Segundo Robert Oswald, “Tristão e Isolda constitui uma torrente sinfônica que envolve e leva de roldão o canto dos protagonistas, que flutuam e se submergem alternativamente, consumidos por incontível paixão que o cromatismo e a harmonia descrevem com todos os matizes através dessa viagem à morte em que o amor é somente uma estação intermediária e dolorosa”. É que o amor não reconhece a lógica, nem tampouco a admitem os amantes, ao ponto de transformá-lo em um teorema no qual a demonstração pelo absurdo se converte em postulado. Wagner estava encantado com a lenda céltica de Tristão e Isolda, epopéia do século XIII, de Gottfried von Strassburg, tradução de Hermann Kurtz (1844). Por essa. época, como dito acima, estava residindo em Zürich, com sua esposa Minna. Essa ópera, criação da maturidade do compositor, é uma das mais altas simbolizações do amor que a história da arte encerra. Nela, é como se a dor amorosa encontrasse na música seu lenitivo. É possível que não exista nenhuma outra obra na história da música ocidental, acerca de cuja transcendência e alcance se tenha escrito mais do que sobre Tristão e Isolda, o drama sonoro que Richard Wagner (1813-1883) concluiu em 1859 e que teve sua estreia em Munique, em 10.06.1865, sob a regência de Hans von Bülow.

5 Responses to Tristão e Isolda

  1. Francisco Ramos disse:

    “A extensa partitura é um mundo sombrio”.
    De La Guardia, E.

    Monumento musical extraordinário e uma das
    mais surpreendentes proezas artísticas do gê
    nio humano Tristão e Isolda abalou os alicer
    cês do mundo ocidental. Wagner , atendendo
    às necessidades do seu drama, criou uma
    gramática musical atrvés do uso dos letmotiv
    e suas “declinações”. Por outro lado, impelido
    pela necessidade de expressar a subjetividade
    , ele ampliou e sofisticou a expressão harmôni
    ca. Em suma, está obra prima apresenta-se
    como uma terrível e sublime provação para ou
    vintes, regentes e sobretudo cantores, este conduzidos aos limites físicos de suas possibi
    lidades vocais. Tristão e Isolda é a história de
    um amor impossível sublimado na morte e e
    moldurado pela mais espantosa partitura da
    música ocidental.

    Brasília, 10 de junho de 2015:
    150 anos da estréia de Tristão e Isolda.

  2. Francisco Ramos disse:

    Tristão e Isolda subverteu o sistema tonal, sobre o qual repousava 300 anos da música
    ocidental.

    • Felipe disse:

      Francisco, que gênio és. Recolho minhas palavras, humildemente.
      Me deixe ter contato com sua pessoa e aprender mais sobre essa paixão que me alucina, me parte ao meio: Wagner e sua obra…
      Sou um jovem de 27 anos que ama o que é, hoje, incomum…
      Cariri_nordeste@hotmail.com

  3. Francisco Ramos disse:

    Postei um comentário. Tenho 13 versões da ópera (áudio e vídeo) e tive a glória de assisti-la em Bayreuth. Citei um trecho do saudoso maestro Ernesto de La
    Guardia, da Sociedade Wagneriana de Buenos Aires , autor de um livro com o libreto integral da ópera em tela, todo comentado. Ou seja, um especialista em
    Wagner colocado num plano infinitamente superior ao dos senhores. Procurei destacar o poder de sedução deste monumento de 4 horas bem como a sua
    complexa metodologia de construção : a profusão dos leitmotiv e suas transfigurações no transcorrer da ópera, configurando uma verdadeira gramática musi
    sical. Destaquei ainda a subversão promovida por Wagner nesta ópera, que abalou o sistema tonal, através do intenso cromatismo que permeia toda a “Melo
    dia infinita”, abrindo nova era na música ocidental , cuja expressão paradigmática é o atonalismo de Schoenberg .
    O artigo acima está muito aquém de Tristão e Isolda. É ruim , um pastiche inútil, sobretudo para quem não “aprendeu” a ouvir este difícil tesouro. Parece mês
    mo uma colagem de trechos de qualidade maior e não uma percepção original de quem, presumivelmente ouviu a ópera, no mínimo 100 vezes ( já a ouvi mais
    de 250 vezes ao longo de mais de trinta anos). Pois bem, os Srs, encarnações do maestro Wagner, APAGARAM MEUS COMENTÁRIOS.
    Com “gênios” desta natureza para fazerem juízo de valor, que imbeciil atreve-se a postar qualquer coisa aqui. Sugestão: falem menos e ouçam mais a ópera.

  4. Carlão eskalla disse:

    Tenho disco dos pesados

Comentários

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